
A hemorragia em animais representa uma emergência clínica que pode indicar diversas doenças subjacentes, desde distúrbios hematológicos até patologias hepáticas complexas. Nossa abordagem aqui integra conceitos avançados em hematologia e hepatologia veterinária, essenciais para o reconhecimento, diagnóstico e manejo preciso desses quadros. Hemorragias podem ocorrer de forma aguda ou crônica, levando a anemia grave, comprometimento hemodinâmico e risco de óbito se não tratadas rapidamente. Cães e gatos com condições como anemia hemolítica imune, trombocitopenia, leucemia felina (FeLV) e linfoma, ou doenças hepáticas como lipidose hepática, cirrose e colangite, frequentemente apresentam manifestações hemorrágicas que exigem diagnóstico diferencial cuidadoso. O uso correto de exames laboratoriais como hemograma completo (CBC), perfil de coagulação, dosagem de enzimas hepáticas ALT e AST, além de procedimentos invasivos como biópsia hepática e citologia da medula óssea, é fundamental para conduzir tratamentos eficazes e salvar vidas.

Este texto fornecerá uma visão abrangente sobre as causas, VeterináRio Hepatologista diagnóstico e terapêutica da hemorragia em animais domésticos, contemplando as queixas mais comuns dos tutores, explicando as doenças subjacentes e destacando os benefícios da abordagem veterinária especializada.
A hemorragia em cães e gatos pode decorrer de múltiplos processos fisiopatológicos, cada um exigindo uma abordagem clínica distinta. Compreender os mecanismos básicos é essencial para a identificação precoce dos sinais que indicam risco hemorrágico.
A coagulação sanguínea é um sistema complexo que mantém o equilíbrio entre sangramento e trombose. Em animais, defeitos na coagulação podem provocar hemorragias espontâneas ou após traumas mínimos. Doenças como a trombocitopenia imune primária, em que o sistema imunológico destrói as plaquetas, reduzem a capacidade de formação do coágulo, causando petéquias (pequenas manchas de sangue na pele) e sangramento mucoso.
Outras condições incluem deficiências congênitas ou adquiridas de fatores de coagulação (hemofilia), intoxicações (raticidas), e distúrbios hepáticos que comprometem a síntese dessas proteínas plasmáticas. O perfil de coagulação detecta alterações na via intrínseca (tempo de tromboplastina parcial ativado – TTPa) e extrínseca (tempo de protrombina – TP), além das plaquetas (contagem plaquetária), subsidiando o diagnóstico.
Anemia hemolítica imune (AHI) é uma causa frequente de sangramento secundário. Nesse quadro, anticorpos atacam as hemácias, que se rompem no baço e na medula óssea. A destruição intensa pode culminar em anemia grave e queda do hematócrito, com icterícia (coloração amarelada) causada pelo excesso de bilirrubina liberada.
Leucemias e linfomas são neoplasias do sistema hematopoiético que podem causar hemorragia por infiltração medular, comprometendo a produção adequada de plaquetas e fatores de coagulação.
O fígado é o principal centro de produção dos fatores de coagulação e proteínas que regulam a hemostasia. Lesões crônicas como cirrose, lipidose hepática e colangite prejudicam essa função, criando estados de hipocoagulabilidade. O fígado também interfere no metabolismo de vitaminas importantes para coagulação, como a vitamina K.
Além disso, a presença de veias portossistêmicas anormais (shunts portossistêmicos) pode levar a insuficiência hepática e coagulopatias secundárias, predispondo a sangramentos internos, ascite e hepatomegalia (aumento do fígado), detectável por exame clínico e ultrassonografia.

Animal com trauma físico severo, queda, atropelamento ou ferimentos profundos pode sofrer hemorragias externas ou internas, como hemoperitônio – acúmulo de sangue na cavidade abdominal. Em casos graves, a perda de sangue exige intervenção imediata com transfusões sanguíneas e estabilização hemodinâmica.
O diagnóstico rápido evita o agravamento do quadro e a falência de múltiplos órgãos provocada pela hipovolemia (queda do volume sanguíneo circulante).
Após compreender as causas, é crucial realizar um diagnóstico laboratorial detalhado. Exames de sangue e técnicas complementares auxiliam no direcionamento terapêutico e no monitoramento do tratamento.
O hemograma completo é o exame básico para avaliar as alterações sanguíneas. Informa o número de hemácias, leucócitos e plaquetas, além dos índices hematimétricos. No caso de hemorragia, geralmente observa-se redução do hematócrito e da hemoglobina.
A contagem de reticulócitos, células jovens liberadas pela medula óssea, indica se há produção compensatória de glóbulos vermelhos frente à anemia. Em doenças como a anemia hemolítica imune, o aumento de reticulócitos é esperado; já em casos de aplasia medular, a produção estará diminuída.
O exame inclui o tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa), fibrinogênio e dímero-D, que avaliam as vias extrínseca e intrínseca da coagulação, além da fibrinólise — processo que dissolve os coágulos. Alterações nesses parâmetros direcionam investigações sobre raticidas, distúrbios hepáticos ou consumo exagerado de fatores (como na coagulação disseminada).
Os níveis de ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase) aumentam na necrose e inflamação hepática. Em animais com hemorragias internas associadas a doenças hepáticas, esses testes guiam a avaliação do grau de comprometimento orgânico e o prognóstico.
O excesso de bilirrubina, produto da degradação da hemoglobina, provoca icterícia, facilmente observada em mucosas e pele amareladas. Valores elevados sugerem hemólise, colestase ou insuficiência hepática avançada. A avaliação da bilirrubina conjugada e não conjugada permite diferenciar as causas.
Quando causas médicas complexas de hemorragia persistem, como leucemias, linfomas, ou perda da produção celular, a citologia da medula óssea torna-se indispensável. É um procedimento minimamente invasivo que avalia a presença de células anormais, infiltrados malignos ou hipoplasia.
Em doenças hepáticas avançadas, a biópsia hepática confirma diagnósticos como cirrose, lipidose e colangite. Associado a exames histopatológicos, o procedimento permite identificar alterações que explicam o comprometimento da coagulação e sangramentos.
O panorama clínico inclui uma série de enfermidades, as quais abordaremos detalhadamente, explicando os desafios para os tutores e os benefícios de um acompanhamento veterinário especializado.
A AHI é uma condição em que o sistema imunológico erroneamente destrói as próprias hemácias do animal, provocando anemia grave e risco de hemorragias secundárias. Tutores percebem fraqueza progressiva, gengivas pálidas, dificuldade respiratória, palidez das mucosas e até sangramentos nasais ou gastrointestinais.
O tratamento envolve imunossupressores como corticosteroides, suporte com transfusões e controle rigoroso das infecções secundárias. Diagnóstico precoce por hemograma completo e teste de Coombs (identificação de anticorpos aderidos à membrana das hemácias) aumenta a chance de recuperação total.
Trombocitopenias no animal causam sangramento mucoso (nariz, gengivas), equimoses, hematomas e prolongamento dos tempos de coagulação. A doença pode ser induzida por medicações, doenças infecciosas, neoplasias ou de causa autoimune.
Medicamentos como corticosteróides e imunomoduladores controlam a destruição plaquetária. Em casos severos, transfusões de plaquetas são recomendadas. Monitoramento laboratorial constante evita crises hemorrágicas.
Na leucemia felina (FeLV) e no linfoma, a infiltração medular e linfática altera a produção normal das células sanguíneas, causando sangramentos por redução das plaquetas e distúrbios de coagulação. Diagnóstico pela combinação de hemograma, imunofenotipagem (identificação do tipo celular anormal) e testes de FeLV fortalece o plano terapêutico.
A quimioterapia em animais pode ser capaz de aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida, mas exige acompanhamento criterioso para manejo dos efeitos adversos, como risco aumentado de hemorragias.
Animais com doenças hepáticas crônicas manifestam sangramento pela queda na produção dos fatores de coagulação e pela hipertensão portal, que dilatam vasos e vasos colaterais com risco de ruptura.
Manifestações incluem ascite (acúmulo de líquido no abdômen), hepatomegalia palpável e icterícia. O monitoramento das enzimas hepáticas em exames rotineiros alerta para piora do quadro antes da instalação da insuficiência hepática significativa.
O tratamento prioriza a estabilização nutricional, uso de hepatoprotetores e correção das deficiências vitamínicas, além de suporte sintomático em casos avançados.
Intervenções imediatas e protocolos claros são determinantes para o desfecho positivo do paciente hemorrágico. A abordagem deve ser personalizada e multidisciplinar.
Animais com hemorragia grave necessitam de estabilização hemodinâmica rápida, com reanimação volêmica e, frequentemente, transfusão sanguínea para restaurar o volume e a capacidade de transporte de oxigênio.
Tipos de transfusão: sangue total, hemoderivados (plaquetas, plasma fresco congelado), escolhidos conforme indicação específica e disponibilidade.
Para anemia hemolítica imune, o principal objetivo é suprimir a resposta imune anormal através de corticosteroides e outros imunossupressores. Trombocitopenias podem exigir agentes imunomoduladores e, em algumas situações, esplenectomia (remoção do baço).
Em doenças hepáticas, correção da coagulopatia com vitamina K e uso de hepatoprotetores são essenciais enquanto a condição de base é tratada rigorosamente.
Monitorar regularmente o hemograma, perfil de coagulação e enzimas hepáticas é fundamental para acompanhar a resposta ao tratamento, prevenir episódios hemorrágicos e ajustar a terapêutica.
Nem sempre a doença possui reversão completa. Em casos neoplásicos ou hepáticos terminalmente comprometidos, o foco deve ser o controle da dor, conforto do paciente e suporte emocional ao tutor. Explicar detalhadamente sobre prognóstico, opções terapêuticas e qualidade de vida evita desentendimentos e oferece mais segurança ao dono.
Identificar sinais precoces que indicam risco de hemorragia em animais é um diferencial crucial para o sucesso do tratamento. Os donos devem estar atentos a sintomas como sangramentos inexplicados, palidez, fraqueza extrema, gengivas pálidas ou manchas roxas na pele.
Exames periódicos, especialmente para animais com doenças crônicas, ajudam na detecção precoce de anemia, alterações da coagulação e insuficiência hepática.
Adotar condutas preventivas, como vacinação contra FeLV, controle de parasitas e alimentação balanceada, previne o surgimento de várias condições hematológicas e hepáticas relacionadas.
A hemorragia em animais é uma condição clínica que demanda atenção veterinária especializada imediata. Reconhecer os sintomas, buscar exames laboratoriais detalhados e entender as causas subjacentes como anemia hemolítica imune, trombocitopenia, leucemia felina, linfoma e doenças hepáticas complexas, pode salvar a vida do seu pet.
Para garantir a melhor qualidade de vida para seu cão ou gato, agende uma consulta com especialista em hematologia e hepatologia veterinária, solicite um hemograma completo, perfil de coagulação e monitore regularmente as enzimas hepáticas ALT e AST. Discuta detalhadamente as opções de tratamento, inclusive terapias avançadas como quimioterapia e suporte nutricional especializado, com seu veterináRio Hepatologista ou oncologista hematologista veterinário.
A intervenção precoce e o acompanhamento contínuo são fundamentais para prevenir complicações fatais e proporcionar ao seu animal uma vida mais saudável e longeva.
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